Refiz a bagunça, mantive a essência e só


Te procurei nas ruas que andei, nos olhares afetuosos que encontrei no decorrer do caminho. Tentei te achar naquela rua florida, naquele parque colorido e nas avenidas da senhora saudade.

Bati portas de desconhecidos na vã esperança de que ao abrir de uma dessas portas eu mais uma vez encontrasse o seu sorriso. Te perdi no meio da minha bagunça, nesse caos, complexo e imperfeito que sou.

Recorri aos aplicativos de pegação, entre "likes" e "deslike" percebi que você não estava lá. Imaginei sua chegada, sonhei com encontros, com abraços, com afetos desenhados pelos meus olhos sempre fantasiosos e cheios de amor.

Desenhei declarações, imaginei surpresas, pedidos, entregas, compromisso. Essa coisa gostosa que eu acredito ser a vida a dois.

Sonhei com dias partilhados, pois embora eu saiba que posso ser feliz sozinho, meu coração sempre me sopra entre sussurros que pode ser bem melhor acompanhado.

Talvez eu esteja pedindo muito, esperando demais e me permitindo de menos, talvez, quem sabe. Estou avaliando e descobrindo todos esses "talvez".

Tenho deixado sinais, tenho deixado palavras soltas que te guiem na direção do meu sorriso. Entre abraços que não foram dados e beijos que se quer chegaram a acontecer, eu escrevo esse texto na vã esperança de que ele chegue até você.

Seria poético não é mesmo? Imagina só, você chegando e dizendo: "Oi Joh, sou eu, vi seu texto, eu sou a pessoa sobre quem você escreveu todo esse tempo."

Loucura eu sei, mas o que posso fazer, Dumbledore me ensinou que palavras são nossa inesgotável fonte de magia. E o que pode ser mais mágico do que o amor?

Refiz a bagunça interna, tirei as coisas do lugar. Apaguei conversas antigas, contatos passados. Para frente, é onde mantenho os olhos, um passarinho me disse que lá na frente eu vou te encontrar.

Refiz a bagunça, mantive a essência e só. Deixei a chave no caminho, a escolha é sua. Pegue, abra a porta e entre. Ou a jogue tão longe quanto seus braços possam alcançar.

Joanderson Oliveira