Amor genérico não serve

Não sei, acho que estou ficando (ainda mais) chato que o habitual. Conversas bobas, promessas mirabolantes já não me enchem os olhos, prometer a lua é lindo, mas já cresci o suficiente para me satisfazer só com a promessa.

É que eu gosto de reticências, elas me lembram continuidade... e falando em continuidade eu adoro aquilo que continua. Hoje os meus olhos não enchem com o amor que se diz, mas com o amor que é, que existe, que não posterga, gosto do amor urgente, que se entrega.

O ciclo tem se repetido, as mensagens são sempre as mesmas. Aquele papo super interessado de dois dias e depois sumiço mais que total, livramento, assim acredito.

Dia desses ouvi um "meu amor", "te amo", em menos de um dia de conversa. Depois do medo absurdo, deletei a conversa, cortei contato e fiquei pensando em como viver no meio dessas relações efêmeras.

Talvez eu esteja em busca de um amor irreal, idealizado, utópico, distante. Não ligo, prefiro lutar pelo amor que quero, a me conforma com um amor genérico como prêmio de consolação.

Semana passada um cartomante leu a mão de uma amiga minha e disse que era melhor ela desistir do amor, esquecer essa história de vida a dois, segundo ele, não era para ela. Ela não ia viver esse amor idealizado e tão desejado. Coloquei as mãos nos bolsos e fingi que não notei seu interesse em ler a minha. Ele já tinha jogado água fria em gente demais por um dia.

O que o cartomante talvez não saiba é que o amor não é sobre as certezas que ele disse ter visto nas linhas da mão da minha amiga, é justamente sobre os esconderijos, labirintos que ele não consegue ler, nesse caminhar chamado vida.

Se o seu amor é genérico, não serve. Troque a receita. Mas se ele for de verdade me convida para um café, um bom papo e quem sabe um cafuné?!

Enquanto isso, cruzo os dedos e espero esse meu amor imperfeito, real e verdadeiro.

Joanderson Oliveira