Na minha vida só há lugar para "um amor foda"


Eu quis te pedir pra ficar, desfazer as malas, não ir embora, fazer todo aquele drama de novela mexicana, e ouvir você dizendo que não iria a lugar algum que eu não estivesse. Patético? Talvez, mas não posso negar que quis.

Temos mania de não querer ver aquilo que está diante dos nossos olhos. Eu achava que meu amor curaria todas as tuas dores, que eu com meus super poderes "amorísticos" - permita-me aqui o neologismo - te salvaria, do que ao certo eu não sei, mas eu queria ser a sua pessoa.

Eu desejei ser o motivo do seu sorriso, das suas gargalhadas, do arrepio na sua nuca, das borboletas no estômago, do nervoso no primeiro encontro. Eu te quis sempre e mais do que devia, podia e principalmente do que você me permitia.

"Vamos sair hoje?" dizia eu esperançoso, "não vai dar, desculpa, coisas da universidade", ouvia como uma resposta abafada no meio de suas desculpas esfarrapadas que eu fingia acreditar.

E sim, essa cena tantas e tantas vezes se repetia. E eu fui me esquecendo, me deixando pelos cantos, morrendo um dia de cada vez. Esqueci que amor não se implora, amor não é pra ser mendigado. Tive amnésia dos meus preceitos, e esqueci toda aquela liberdade que o verdadeiro amor nos dá.

Me prendi a um sentimento estranho, que causava mais pranto que riso. Mais dor do que abrigo. Mais lagrimas do que sorriso.  Mais partidas do que chegadas. Mais você e muito, muito menos eu.

E sim, essa história já faz um tempo. Eu mudei (ainda bem), revi meus preceitos, reaprendi a amar, desde que fui embora, desde que juntei meu orgulho que embora ferido ainda não havia morrido e deixei você no passado.

No começo tive uma crise ala Maísa, e sim, "meu mundo caiu", ou ao menos o mundo que eu construí pra nós dois, eu e você, um belo clichê de um filme de Hollywood. Mas, não. Nós não estrelamos nas telonas do cinema ou da vida.

Eu sempre quis ser o lar de alguém, acreditava que só poderia ser feliz com alguém do meu lado, erro de iniciante. Antes eu me via como metade, hoje entendo que sou inteiro e que na minha vida só há lugar para "um amor foda", como bem dito em uma bela canção do Luan Estilizado.

Não aceito metades, amores meia boca não me enchem os olhos. Não há vagas para amores mornos, sem sal. Amores de qualquer jeito. Não há espaço para amores de domingo ou do quando der a gente se ver.

Só aceito amores do tipo: tô morrendo de saudades, vou ai te ver! Amores que mandam textinho, textão. Amores que ligam e conversam e falam da lua, do filme que viu, do próximo encontro e dos planos pro futuro.

Desculpe, mas hoje só aceito amores inteiros, completos assim como sou. Amores que chegam pra cuidar, somar e multiplicar.

Se for pra subtrair a saída é a direita (ou à esquerda), só depende de você.

E antes que eu esqueça, obrigado por ter ido embora.

Joanderson Oliveira