Príncipe encantado até a página dois


Início de paquera. Conversa vai. Conversa vem. Palavras doces. Dias depois, eis que chega a mensagem: "Você parece um príncipe, o meu príncipe."

Sorri, pensei, e lembrei de uma frase do Caio Augusto Leite, que li certa vez, ele diz o seguinte: "não se iluda comigo, eu não tenho nada demais para oferecer além de sentimento, para alguns é nada, para outros é tudo e para você, serve?"

E então, serve?

Olha, sou dono de um humor que vez em quando é azedo, amargo. Não sou todo flores, tenho lá meus muitos espinhos, meu amor não tem só beijos, ele às vezes corta, tem farpas, em outras, sangra. Eis um fato: sou humano demais para ser perfeito.

Silêncios? Tenho muitos. Abraços? Não me faltam. Ciumes? Um pouco, nada que me faça perder o bom senso, Deus me livre ser dono de ninguém. Orgulhoso? Mais do gostaria e menos do que deveria. Alguém já disse que os olhos sempre dizem a verdade, e se você buscar nos meus entenderá o que eu digo.

Desculpa se eu não encontrar o sapato de cristal que você perdeu, devo ter me distraído com alguma borboleta. Releva se eu me atrasar pro beijo de amor verdadeiro que quebraria a maldição que prende tua vida. Já vou avisando, não tenho cavalo branco, nem coroa, tampouco reino.

Sou de carne, osso, pele, pecado, desejo. Perfeito eu? Não. Sou tão imperfeito quanto gostaria. Tenho defeitos singulares, espinhos que muitos correriam... e nesse caos que sou, eis que me pergunto quem se atreveria?

Quem se atreveria a me estender a mão, dividir os abraços, os beijos e os dias. Não esperando atitudes de um príncipe, mas as atitudes de um garoto que escreve, que acredita no amor com todas as forças que tem, que suspira com o simples, que se encanta com o cotidiano. Que acha o cuidado, uma forma linda de se dizer e demonstrar que ama. Que nunca sonhou com um amor perfeito, mas com um imperfeito cheio de amor para colorir os dias.

Posso até ser seu príncipe encantado. Aceito o cargo. Só não esqueça que depois da página dois ainda serei o mesmo, cheio de defeitos.

Posso não ser perfeito, de fato não sou, não quero e nem pretendo. Só prometo um amor sincero, disposto a loucuras que até mesmo Peter Pan duvidaria. Te prometo um "era uma vez..." onde a gente cresce e aprende a se amar juntos, sempre mais e a cada dia.

Joanderson Oliveira