Às vezes não é perda, é livramento


Dia desses recebi uma mensagem de uma amiga me dizendo que havia entregado os pontos, e que em matéria de amar, ela era amadora demais. 

Estive eu cá com os meus botões pensando sobre isso, é que às vezes a gente cansa desse ciclo, de conhecer alguém, tudo ser (aparentemente) perfeito, e depois o fim, game over.

Para começar: nem tudo é perda, às vezes é livramento. Nem todo mundo que chega na nossa vida chega para ficar. Já vi algumas pessoas que amei profundamente indo embora, e eu sempre ficava despedaçado, outras vezes eu juntei minhas coisas, catei o coração embaixo do braço e fui embora, e partir também me deixou em pedaços.

Até o dia em que eu entendi, que algumas pessoas vem apenas para nos ensinar algo, depois que ensinam a vida se encarrega de levar, quem já não tem mais razões para ficar. Hoje entendo que se sou a pessoa que sou, é porque aprendi com essas pessoas que vieram e partiram. Elas me ensinaram a amar mais e melhor.

A gente amadurece com os desamores, com as perdas, que via de regra podem ser um livramento. Amar não é sobre se sacrificar para viver com alguém que já não nos faz feliz, (ou que nós não a fazemos feliz), amar é sobre deixar que o outro vá, mesmo que a gente ainda o ame, mesmo que a gente ainda queira arrumar um jeitinho para continuar a caminhada. Amar não é sobre jeitinho, amar é sobre reciprocidade. Amar é sobretudo, deixar ir, quando o amor já não faz mais morada.

Claro que as perdas são dolorosas, sempre que as tenho, sinto como bem diria Maysa, que "meu mundo caiu..." com o tempo eu aprendi que tudo bem o mundo cair vez em quando, grande construções são feitas a partir de muitos escombros.

"Sou amadora para esse negócio de amar", - disse essa minha amiga - a verdade é que quando se trata de amor, somos todos crianças engatinhando, quando a gente acha que sabe alguma coisa, vem alguém, como um furacão, bagunça tudo, tira nossas certezas do lugar, e nos ensina, que o amor não é sobre certezas, é sobre confiar.

Amar é se respeitar o suficiente para não aceitar um amor meio bosta, se amar o suficiente para dizer, não quero esse seu amor incerto, esse seu beijo sem vontade, esse seu sorriso por obrigação, é entender que tudo bem o outro ir, não é uma perda, é uma sensação de leveza, porque às vezes o amor pesa, e quando ele pesa, a gente solta, e segue, porque na vida não precisamos de pesos desnecessários.

Amar é entender que o "para sempre" é tão relativo que se preocupar com ele, é bobagem. Viver hoje, amar hoje, o amanhã?, a gente descobre juntos, se você ainda estiver aqui é claro.

Amar é sobre entender que no meio de tantos livramentos, uma hora chegamos no cais, jogamos a âncora, e torcemos para que desse amor que julgamos ser o certo, a vida não nos queira livrar.

...desiste do amor não! Porque amor é sobre não desistir. Podemos até deixar que pessoas partam, o amor não, a gente o guarda, bem guardado.

O amor? ...é âncora que se recusa a afundar.

Joanderson Oliveira