Às vezes o amor não basta



Eu sempre valorizei os pequenos gestos, as pequenas demonstrações de carinho que espalhamos por ai e que dizem o quanto amamos uma outra pessoa. O esforço pra está junto. Aquele olhar que diz que ambos estão na mesma vibração.

Sempre fui - e sou - de amar intensamente, mas não se engane, pois não sei amar sozinho, e por isso já fui embora amando muito outra pessoa. Mas fui embora porque já não havia motivos pra ficar, fui embora porque minha falta não era sentida, minha presença não era notada. Éramos namorados de título, mas não de alma.

Estávamos juntos, porém separados.

Em minha defesa, eu tentei não ir, eu chamei, sentei, conversei, disse que as coisas estavam estranhas, em resposta ouvi um: "-Não, está tudo bem!", - engraçado que isso já me aconteceu mais de uma vez, nessa minha nem tão curta, nem tão longa vida -.

Acho que o problema está no "está tudo bem", como se o amor fosse uma especie de comodismo, e tivéssemos apenas que manter o status quo. Ou como se o amor fosse um jogo e quando se chega a determinado level, pronto, tudo está resolvido, puxa a cadeira, senta e liga a tv.

As pessoas não percebem que planta que não se rega murcha. E amor que não se cuida, acaba se esvaindo, entre os dedos, entre o peito. Vai virando saudade, depois perde as letras, e quando ver ele se foi.

Dizer que já chega, acabou, não dá mais, pra pessoa que amamos e que de longe é a nossa preferida, não é fácil. Dói. O sentimento nos pede pra ficar. O amor diz pra tentarmos mais um pouco. Já seus olhos pedem descanso, as lágrimas já se foram e nem tem mais o que escorrer.

Talvez isso faça parte da vida. Conhecemos pessoas, dividimos momentos, ensinamos e aprendamos algo. Depois do ciclo feito, partimos, pois não há mais razões para ficar.

Fui embora porque sabia que era o melhor a ser feito. O silêncio já era algo comum entre nós, e chegou um ponto que ele deixou de ser confortável.

Com isso, aprendi que amar, é também deixar ir. Às vezes o outro não tem forças pra dizer que quer ir embora, e então temos que ser mais fortes e lhe emprestarmos um par de asas.

Sobre o amor?
Se tem reciprocidade, eu fico, finco raízes e faço morada. 

Se não tem?
Eu viro pássaro, crio asas e voo, em busca de um amor que seja meu. Não por posse, mas no sentido poético da palavra.

Porque às vezes o amor não basta, e a gente tem que ir embora. Li hoje "que não se pode amar sozinho, não é verdade?".

Não podemos, é verdade.

Joanderson Oliveira