Síndrome de Cazuza


Trazer mil rosas roubadas pode soar como exagero, mas de fato, para alguém que vive nos excessos é algo comum. Ao pensar em quem amamos o exagero sempre parece apropriado - exceto claro, o telemensagem, não mando, não me mandem, obrigado -.

Voltando ao assunto que deu vida a esse texto, hoje me analisei, e eis o diagnóstico: sofro da Síndrome de Cazuza, sou exagerado, adoro um amor inventado, amor sem conta gotas, amor que transborda.

Diagnóstico feito, aceito meu fardo e abraço meus excessos, é algo crônico, lutar contra eles é perca de tempo, quando se trata de amor, alguns são "mar", eu "oceano".

Perco (leia-se ganho) horas, falando ao telefone com quem amo, porque ouvir a voz da pessoa amada é bom, da prazer, renova, traz riso ao rosto, mesmo que o assunto seja uma banalidade casual, como a rotina do trabalho, e quando o assunto falta a gente inventa, reinventa, coloca vírgulas, às vezes reticências, e assim transformamos saudade em presença e descobrimos que nossas partes inteiras, quando juntas, começam a transbordar.

Já tentei mudar, me coloquei limites, chamei o coração para uma conversa séria, e disse que não dava mais para sermos assim, ele faz a festa e eu pago a conta, há tantos cacos meus pelo caminho, que hoje, percebo, decoram os labirintos que levam aos cantos mais secretos do meu peito.

Entre meus exageros e as mil rosas roubadas do Cazuza, cá estou eu a escrever esse texto, e enquanto escrevo, observo as pessoas a minha volta, mundos tão singulares, formas tão únicas de amar - ou não -, talvez quem sabe pensando nesse amor "que daqui a eternidade os destinos estarão traçados". Que eles encontrem, digo silenciosamente.

Quanto a mim?, sigo eu com meus excessos, minhas manias, meu jeito torto de amar, difícil de explicar, é coisa que se sente - ou não -, de mais a mais, aceito a sentença,  e sigo amando... na esperança silenciosa de assim também ser amado.

Joanderson Oliveira