Alguém que seja para-raios dos nossos (meus) excessos


Não sei cozinhar muito bem, sei cozinhar poucas coisas na verdade, mas adoraria cozinhar algo para você, por mais simples que fosse, por mais trivial que julgassem ser, vez em quando pediria tua ajuda, e sorriria ao perceber que estaria fazendo algo meio (leia-se totalmente) errado.

Ficaria sentado contigo por horas em uma praça qualquer, e atentamente te ouviria falar da vida, dos medos, dos anseios, das loucuras, das surpresas, não me cansaria, na verdade iria sorrir de leve e você provavelmente perguntaria "o que foi?", e eu diria "nada", e continuaria sorrindo. É que gosto de olhar para quem amo, olhar de verdade, dentro dos olhos, dizem que eles sempre contam a verdade.

Sou cheio de excessos, eu sei. Provavelmente devo falar demais, amo com intensidade, e parafraseando o Frederico Elboni, nem sempre encontramos alguém que queira, ou seja, para-raio dos nossos (nesse caso dos meus) excessos.

Amo de forma peculiar, amo como quero ser amado, aprendi que o amor que damos é o que queremos receber, e assim sigo, cruzando ruas esperando esbarrar numa tal Senhora Reciprocidade.

Frases me lembram você, músicas me mostram o quanto você é especial, e nessa imensidão que sou, vez em quando me afago em meio a um mar de sentimentos. Não espero que você me entenda sempre, - Deus sabe que nem eu mesmo me compreendo em boa parte do tempo - mas tente, talvez eu não seja assim tão difícil.

Gosto de aparecer do nada, de te fazer uma surpresa, de dizer "Oi amor, vim só te ver, já tô indo para casa". Acredito que o amor se faz de coisas simples, de momentos inesperados, de risadas, de rotina, de às vezes não saber o que dizer, e então inventar qualquer outro assunto.

Quando a gente ama se faz presente, abre brechas, encontra caminhos, e por fim dá-se os encontros, as chegadas e por mais que não se queira, vem também as partidas.

Não sou assim tão difícil de se ler, veja os sinais, perceba o que eu digo, o que silencio, o que guardo e o que divido.

Dizem que em inícios de relacionamento todo mundo é intenso, mas que com o tempo as coisas mudam, a segurança de já ter conquistado faz com que alguns se descuidem do amor que conquistaram, parecem não perceber que flor que não se rega murcha, e amor que não se cuida, vira outra coisa, quase sempre saudade, partida, passado, adeus.

Por isso te rego, te cuido, te trago para perto, te inundo com meus excessos, e torço para que sejas para-raios deles.

Ah, e falando em cozinhar, sei fazer macarrão, pode não ser muito, mas já é um começo. Gostas?

Joanderson Oliveira