Pedaços e retalhos


Sinto saudades do quanto éramos inseguros
e trocávamos mensagens pela madrugada
só para saber se estaríamos um na vida do outro
quando se fizesse manhã.
-Zack Magiezi
Por que a gente se tortura tanto?

Reler mensagens passadas, observa fotos antigas... fotos que já nem tem mais, mas que as memórias como que por pirraça insistem em trazer a tona e materializam como se você as tivesse em mão.

Por que alguns momentos não se vão quando mandamos que eles saiam, partam e que não voltem? Por que a vida simplesmente não para de nos cobrar tanto e nos dá uma trégua? Eu que amo ser euforia hoje sou solidão... sou saudade, sou abraço, sou retalhos e pedaços.

Me tornei a peça de um mosaico ainda em construção, e acredite isso não tem a menor explicação. A vida quer de mim mais do que eu exijo dela. Quero a leveza do ser, o abraço da chegada, a ternura do beijo doce e apaixonado... talvez eu queira os clichês, porque a realidade tem se mostrado muito amarga.

Por que o passado nos ronda tanto? Por que ele não entende que como passado deve apenas passar? Por que o coração não me obedece e entende enfim aquilo que ele não quer aceitar?

Não quero recaídas, não quero o que passou, o que se foi, o que não quis ficar. Quero um colo cheio de amor onde eu possa me aconchegar. Não quero as fotos antigas, quero os sorrisos do futuro e as fotos que ainda não tirei. Quero andar por aquela rua que sonhei, minha mão junta a sua, e meu olhar sorrindo para o seu.

Por que a gente se tortura tanto? Por que não deixamos de lado as memórias antigas e juntamos os nossos retalhos e pedaços e nos reconstruímos em algo novo e talvez até inusitado? Por que complicamos tanto e nos negamos muitos abraços.

Não posso juntar meus pedaços que foram ficando por essa caminhar da vida, eles se foram junto com as minhas certezas. O que posso é reconstruir meus retalhos e da-lhes uma nova beleza.

Às vezes, em dias como hoje eu apenas queria ser menos, me apegar menos, amar menos, sonhar menos, mas se tal coisa fizesse eu seria cada vez menos eu mesmo e assim sendo pego meus retalhos e os reconstruo e deixo os pedaços que se foram como boa sementes de amor, espalhadas para um dia florescerem.

Talvez um dia eu aprenda a não me torturar tanto.

Joanderson Oliveira