Um beijo de carnaval


Certos dias são mais difíceis que outros e em alguns deles uma tristeza que se acha muito dona de si estava controlando suas emoções. Ele não estava triste, melancólico, ou algo do tipo, muito pelo contrário, ele estava sorrindo.

Sorrindo assim como ele tinha feito em todos os outros dias. A questão é que algumas tristezas não provocam reações aparentes ou sintomas palpáveis, elas apenas existem e de alguma forma muito discreta se fazem presentes.

Aquela era uma semana de carnaval e a tarde começava a chegar demonstrando que o anoitecer certamente não tardaria. Perdido em seus pensamentos ele foi despertado por seus amigos que insistiram que queriam ir a praça para ver um bloco de carnaval que iria passar, e estavam determinados a não irem sem ele.

Mesmo sem saber bem o porquê ele concordou em ir, o que ele não sabia era que o inesperado o aguardava.

Pessoas animadas, alegres, todas comemorando o feriado prolongado, aliviando o estresse do trabalho, a correria do dia a dia, sorrindo para as amarguras da vida, era tudo que ele via. Uma alegria contagiante isso não dava para ser negado. E em meio a tantos sorrisos ele foi tocado por um olhar.

Era um olhar forte, penetrante e por mais estranho que fosse aquele olhar era excitante. Seu corpo reagia aquele olhar muito mais do que deveria e por alguma razão que ainda desconhece ele se quer tentou se esquivar, na verdade ele retribui ao olhar encantador.

Olhar este que ficou cada vez mais perto, até que a distância entre ambos era mínima, uma linha tênue prestes a ser rompida, rompida por lábios doces e gentis que não se limitando a pouca distância foi de encontro ao seu.

Enquanto sua boca correspondia ao beijo inesperado, ele enfim entendia aquele olhar, que na verdade era um olhar de desejo, de vontade, uma espécie de fome. Não era fome de amor, mas fome de toque, de uma vontade que não foi reprimida, mas saciada em uma explosão que incendiava seu corpo de uma forma nova, inusitada.

Não foi amor, foi apenas um momento, um momento efêmero é verdade, mas marcado pelo destino, um encontro que não foi planejado ou premeditado mas que se deu tão naturalmente. Ele não sabe seu nome endereço, muito menos telefone e naquele instante isso não era importante, a circunstância sim, de alguma forma que ele ainda não sabe explicar aquele momento lhe era necessário.

Naquele dia ele queria se sentir visto, desejado, cobiçado, vivo... e naquele momento ele percebeu que de fato era. Sua tristeza inicial e tudo que havia pensado antes estavam se dissipando por aquele momento de euforia.

Aquele não foi um romance, um amor... foi apenas um beijo, um beijo muito bom por sinal deixe-me dizer e que certamente ele adoraria repetir.

Foi um beijo de carnaval, um momento fora de sua zona de conforto. E por mais efêmero que tenha sido ele o viveu.

Joanderson Oliveira