A personificação do amor


Dia desses encontrei-me com o amor, um velho senhor com um rosto afetuoso, gestos simples e uma doçura ao falar e olhar. Ele estava sentado em frente a um jardim de rosas de todas as cores. Aquele velho senhor exalava o perfume das rosas como se nunca antes tivesse sentido um cheiro como aquele, parecia estar maravilhado.

- Olá, Joh! Estava mesmo lhe esperando.

Observo assustado e de alguma forma que não sei entender eu o reconheço, mesmo questionando sua aparência. Por fim tomo coragem e falo:

- O senhor é o Amor?!

- Ora Joh, por que a pergunta? Você sabe que sim. Estou velho, mas sou o Amor, sou o seu amor, não a sua alma gêmea, na verdade sou a forma como você ama, a personificação dos  seus sentimentos, sou um pouco como a ave mitológica fênix, irei renascer não se preocupe, renascerei jovem e revigorado, com a sabedoria que você conquistou até aqui.

Respiro fundo, estou sonhando?! -Penso. E ele prossegue.

- Como falei antes estava esperando você, pois precisamos conversar. Os dias andam complicados eu sei. E as variações de tudo que sou andam se espalhando, paixões efêmeras ciúmes descontrolados, entre tantos outros que andam usando máscaras e dizem ser eu, dizem ser o amor. Nós dois sabemos que eles não são, e preciso que você não esqueça disso.

Ele faz uma pausa enquanto me observa e enfim continua.

- Lembre-se que não sou soberbo, não ando na companhia da velha Senhora Traição, eu vi  o que ela fez com o Senhor Ciúmes e com a Senhora Paixão. Não serei corrompido por essa víbora. Prefiro a companhia da sempre querida Esperança, do meu velho amigo Carinho, da minha prima Reciprocidade e de minha parabatai, a Fidelidade...

O interrompo e digo:

- Desculpe, parabatai?

- Sim, Joh. A fidelidade é minha parabatai pois estamos intrinsecamente ligados um ao outro, eu a amo como minha própria alma e ela a mim. Quando ela é machucada eu sinto suas dores, sem mim ela não existe e quando ela morre eu também deixo de existir. Ando preocupado, ela esta entrando em extinção, mas ainda existe e resistirá enquanto eu encontrar corações que me deixem criar raízes.

- Entendo. - Digo totalmente estupefato. Ele no entanto parece não perceber e continua.

- Estou aqui a pedido do seu coração. Não se zangue com ele, sei que ele é teimoso, se entrega demais, se doa completamente e você vem arcando com o saldo desde então. Eu ensinei seu coração a ser assim, isso lhe da identidade, faz você ser quem é. Compreende?

- Sim. - Digo simplesmente, atônito demais para continuar falando.

- Joh, continue me plantando por ai, prometo que não vou lhe decepcionar. Lhe ensinaram que a lei da semeadura é implacável, e isso é verdade. Deixe as dores de lado e siga, você vai me colher, não tenha dúvida. E lembre-se: aqueles que se encantam com as flores que trago no início, em minha chegada é porque nunca viram as que brotam quando crio raízes. Como lhe disse Joh eu me renovo, e não esqueça, estou renascendo.

Renascendo!

Joanderson Oliveira