E de repente, talvez


E de repente você percebe que os dias passaram rápido demais. Com o decorrer das horas pessoas se foram, algumas chegaram e a maior certeza é que você ficou. Sua caixa de lembranças e saudades ganharam novos momentos, até os momentos que você julgava que seriam eternos, o tempo (talvez tenha sido ele) levou...

Seu coração te pede um abraço, de preferência bem apertado, que é para ele lembrar que deve continuar a bater.

Enquanto isso você está sentado em um dos bancos da universidade, pessoas passam o tempo todo, cada uma, assim como você ocupadas em seu mundo particular. Por mais estranho que o cotidiano seja, você percebe  que isso faz parte da naturalidade dos dias.

Relembra momentos, revive memórias e sorrir, imaginando as que ainda vai escrever nesse livro que deram o nome de vida.

Olhando para o passado percebe o quanto mudou, e nota que algumas coisas ainda são iguais, entende enfim que velhos hábitos certamente você nunca irá deixar. De certa forma esses hábitos são tão seus que abandona-lós seria como matar partes suas, e como bom mortal que é você se recusa a morrer. Entende enfim o conselho de Clarice Lispector, quando disse que "até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual defeito sustenta nosso edifício inteiro".

Vive se questionando sobre coisas que viu... e chega a conclusão de que de alguma forma as pessoas estão vivendo "o mundo do contrário", já que falam uma coisa, e fazem justamente o oposto. Prometem ser fiéis e traem, e mesmo traindo exigem uma fidelidade que não cultivaram, querem colher aquilo que não plantaram. E assim eles seguem seus dias como diz o ditado popular "plantando vento e colhendo tempestade". Em sua opinião isso não vai dá certo, o saldo negativo não compensa os riscos, e fica triste ao ver como despejam o amor pelo ralo, começa a pensar quanto amor já se acumulou no esgoto das paixões efêmeras, do pseudo-amor, pseudo-gostar.

E embora seu peito peça para escrever um texto sobre amores mais simples, suas mãos insistem em escrever sobre essas coisas que não lhe agradam.

Respira fundo e pensa que já falou demais, decide parar e continuar a observar os dias que vem e que vão, dizem que o tempo ajeita as coisas, as colocam em seus devidos lugares.

Talvez o tempo mostre que o amor não é brinquedo e que se não cuidar ele pode virar saudade.

Talvez o tempo mostre que a vida não é álbum de figurinhas, e que as pessoas não são colecionáveis.

Talvez o tempo mostre que a verdadeira beleza do amor esteja na simplicidade: "já almoçou?", "você está bem?", "nossa vou ai te ver, estou morrendo de saudade". E se essas coisas simples não forem belas, eu não sei o que mais seria.

Talvez o tempo de repente traga as respostas, é talvez, de repente.

Joanderson Oliveira