A simplicidade dos afetos


Quanto mais o tempo passa mais eu me convenço que a real beleza dos afetos está na simplicidade e na leveza que eles carregam. Essa coisa de fazer pose, ensaiar palavras, e bancar o ator é cansativo e desgastante. Claro que todo mundo quer agradar e "fazer bonito" no primeiro encontro, nos primeiros momentos, isso nos é tão natural quanto a ato de respirar.

Mas não dá para ser assim sempre entende?  Amor mesmo é quando eu me sinto a vontade para ser exatamente quem sou, afinal quero que o outro goste do que sou e não do que ele espera que eu seja, certo? Pensando nisso, entendi enfim que umas das primeiras provas de amor que o outro nos dá é quando ele começa a nos conhecer, não aquilo que voluntariamente mostramos, mas aquilo que somos quando fechamos a porta do nosso quarto, naqueles momentos que não tem ninguém olhando.

Clarice Lispector disse certa vez, em seu livro A Maçã no Escuro, que "[...] é sempre assim que acontece - quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer". Não discordo de Clarice, concordo plenamente com ela. E para mim essa é a linha tênue que separa os que realmente nos amam, daqueles que amam fragmentos de quem somos.

O amor, sentimento mais poderoso do mundo não se mantêm de fragmentos, não se sustenta de pedaços e nem se faz de retalhos. Amor é um todo, que se completa e se revela em meio as nossas imperfeições, na nossa falta de jeito, naquilo que denominou-se como defeito. O que como bem disse Clarice Lispector, "até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual defeito sustenta nosso edifício inteiro", afinal nossos defeitos, assim como nossas qualidades dizem muito de quem somos, nos dão identidade.

As pessoas não são bolos para se escolher a fatia mais bonita, a fatia mais atraente. Ou você pega tudo, ou nem se meche. Entenda que afetos e desafetos caminham lado a lado, regue os afetos para que eles se sobreponham aos desafetos, porque nesse caminhar que é a vida nem tudo é somente alegria.

A leveza do amor está na entrega, na partilha, e em se tratando de sentimentos ou você mergulha ou nem toca na água, sinceramente cansei de pessoas rasas. Meu amor é montanha russa, então abre os braços e vem.

Não se preocupa muito. Não faz pose. Deixe ser, deixe acontecer, deixe fluir. Deixe apenas que o amor seja. Porque ele se dá, aparece, faz graça, nos envolve e nos abraça. Porque o amor se dá para quem se deu, para quem muitas vezes perdeu.

O amor é tão leve... sinta, mas não o pese e siga, siga inspirando amor e expirando afetos, beijos e abraços. Amor não tem que ser surreal, ele pode ser simples, leve. Na verdade o amor tem que ser gostoso.

E quer algo mais gostoso do que estarmos juntos, só nós, em nosso mundinho cercado de afeto?

Comece a se despir e se revele para o amor. Mostre a essência, a beleza, e a delícia de ser quem é.

Joanderson Oliveira