De que se faz o amor?


O que é o amor? Para muitos  é apenas um sentimento complicado, para outros tantos um sonho a ser alcançado. Uns acreditam piamente nele, outros o definem como algo banal, sem sentido. Tem sempre alguém falando sobre ele, e assim o amor vem sempre perpassando o homem, buscando terra onde se possa fixar, virar flor e desabrochar.

Mas de que se faz o amor? Nós temos uma habilidade enorme de complicar as coisas, e parafraseando Mário Quintana, "vivemos dando nó ao invés de laço", forçamos o amor a deixa de ser amor. Justificamos todas as nossas ações em nome dele. Esquecemos que o amor não se faz dessa maneira, não se constrói nesses espaços. A gente só vai entender de fato o que é o amor, quando entender toda a liberdade que ele nos provoca.

A leveza, a sensação gostosa dos afetos, aquilo que talvez não seja pronunciado em palavras, mas as ações anunciam de forma desesperada. Existem pessoas que nunca dizem "Eu te amo!", mas amam de uma forma tão mais significativa que a outra pessoa sabe que é amada. Porque na verdade amor não é apenas aquilo que é dito, amor é aquilo que é sentido.

Mas vivemos a época das muitas palavras e das poucas ações, dos muitos "eu te amo", mas que se distanciam tanto da realidade vivida. Parece que dizer basta, é suficiente. É como se o fato de se declarar o amor fosse suficiente para ele se tornar real.

Um dia, Renato Russo perguntou "que país é esse?", hoje parafraseio sua frase e pergunto: -Que amor é esse?

Até hoje não entendo essa ideia de que o amor é sinônimo de perfeição. Porque não, ele não é. E talvez seja por isso que tanto quebramos a cara.

Vivemos esperando um amor de hollywood, e deixamos de notar o cuidado despretensioso e natural. Sabe aquele bom dia, o querer saber como está, o beijo pela manhã, o silêncio nos lábios mas um verdadeiro texto no olhar?, parece simples não é? E realmente é simples, porque o amor em nada tem de complicado. 

"Gourmet'izamos" o amor, lhe colocamos preço, até mesmo uma meta. As provas de amor são legitimadas pelo preço do presente. Esqueceu-se o cuidado e os afetos. E depois reclamamos que as pessoas não sabem amar, talvez porque ainda procuram amores em prateleiras quando na verdade ele está dentro do coração.

Amor se encontra na essência, ele desabrocha no meio dos bons afetos... coisa simples (porém grandiosas). E isso torna ele mais belo. Antes que você finalize o texto com a ideia de que se pode viver de amor, eu lhe peço P-A-R-E, porque você está errado. A vida real tem conta batendo na porta, tem problema na calçada, tem dias amargos e bem complicados, e não, o amor não é a varinha de condão que vai resolver esses problemas, o amor apenas vai dá sentido a caminhada.

Não se vive apenas de amor, isso é fato. Todavia, amor existe para ser sentido e não comprado, negociado, rifado... amor é sentimento, emoção, por isso caro amigo guarde o seu cartão.

A grande complicação no meu entender está nessa simplicidade. As pessoas parecem não aceitar que o sentimento mais poderoso do mundo seja assim tão natural, visto e sentido diariamente nos olhares que se encontram enamorados.

Há muito a se falar sobre tal sentimento e a meu ver tentar explica-lo é perca de tempo. Tão melhor vivê-lo, se permitir, beijar, amar... Porque o amor não é um fim, o amor é um eterno recomeço.

No amor cabe muita coisa, só não cabe o preconceito. Talvez você queira um super amor, desses bem fictícios... espero que você encontre (mesmo). Eu porém, prefiro amores simples, que apenas são sentidos e vividos nesse cotidiano gostoso que é a vida.

Amores simples são leves, são gostosos e são sinceros. Amores simples aquecem o peito, estão muito atrelados a parceria, parece até fórmula matemática, eu + você = nós. Um nós que decidiu caminhar lado a lado. Com defeitos, e tudo mais que tiver na mala.

O amor se faz de simplicidades, é eu, você... somos nós, a cada dia construindo o nosso presente. O amor é uma grande partilha...

Amores simples... porque neles se encontram a beleza da vida.

Joanderson Oliveira