Caminhos que se cruzam


Abri algumas janelas que fazia um tempo eu tinha fechado, esquecido. Estou mudando coisas de lugar, revendo ideias, mudando conceitos...

Bateu saudades, uma saudade de mim sabe?! Essa sensação leve e gostosa de apenas ser eu. Parece simples, talvez até uma bobagem você pode dizer... Mas não é tão simples assim.

A gente cresce ouvindo quem devemos ser, que corpo devemos ter, como devemos andar, querem controlar até o que vamos pensar, determinar até quem vamos amar... que música ouvir, que música cantar, e afins. A lista é longa (e com isso eu não estou falando das orientações dos nossos pais, e das pessoas que nos amam, que nos ensinam tantas coisas boas, e essenciais, falo de algo mais além).

O fato é que nesse caminhar vamos nos esquecendo pelos cantos, nos perdendo dentro do próprio corpo. Sufocamos as nossas vontades, anulamos o nosso eu.

Hoje andando, caminhando na complexidade dos meus pensamentos, organizando (ou pelo menos tentando) as coisas internas, fui encontrando partes de mim, pedaços, abraços, cicatrizes, sorrisos, desejos, vontades, tristezas e alegrias. Encontrei o meu eu que muitas vezes silenciei.

Deu saudade, saudades de mim...
Respirei, suspirei, cansei e parei
Me dei a mão, me levantei e abri a porta, a fechadura tava até enferrujada, e me olhei como quem vê um estranho, como quem não se reconhece, embora a imagem mais pareça um reflexo, você se assusta ao ver que não se tem espelho a frente. Apenas marcas, vontades passadas, coisas que ficaram... um 'eu' como se estivesse perdido em meio a tantos percalços, um eu que acabara de ser encontrado.

Ainda ouço a frase do meu eu quando nossos caminhos se cruzaram:

"-Me deixe passar, me deixe sair, me deixe ser eu, me deixe ser nós".
"-Sim, eu deixo. -Respondi".

Não quero atender as expectativas de ninguém, não quero me prender a essa tortura e a essa obrigação de ter que agradar, quero que as coisas fluam, que sejam leve, que sejam amor, que sejam flor, que sejam abraços, carinho, aconchego... que sejam, apenas sejam.

A gente tenta ser de tantos jeitos diferentes... apenas para agradar. Pura infantilidade, ingenuidade.

A beleza da vida não está nas mãos dos que nos aplaudem por fazermos o que eles querem que façamos, mas sim nas mãos que aplaudem nossa autenticidade, nossa ousadia... o nosso eu, que é tão singular... seja o meu, seja o seu... é nosso, muito embora queiram nos roubar.

Hoje se abrace de verdade, um abraço profundo... por ser exatamente quem é. Não importa o que os outros dizem. Ouça as batidas do seu coração, abrace o seu eu. Esse é o romance mais bonito que existe, não deixe que ele acabe.

Joanderson Oliveira