Palavras empoeiradas


Suas palavras se perderam ao longo do caminho e do espaço, como uma rosa que vai se deteriorando, suas palavras perderam o encanto. Os dissabores da vida provocaram isso...

Aos poucos ele estava se perdendo, se desencontrando. Seu reflexo já não era o mesmo.

Ele tornou-se um estranho para ele mesmo, por mais que visse seus traços ao se olhar no espelho ele não se reconhecia.

Palavras empoeiradas passaram a lhe cercar por todos os lados, ele entretanto não as queria escrever. Elas diziam coisas que há muito ele queria esquecer, mas dizer não a essas palavras não significava que elas fossem partir, e como um espectador imóvel ele ficou ali, vendo a poeira as cobrir. O silêncio tornou-se seu amigo e como um bom companheiro ele abafava seus gritos.

A grande questão é que mesmo cobertas pela poeira que o tempo e o descaso trazem  suas palavras ainda eram suas, silenciadas pela dor, pela frustração e pelo medo de amar novamente, mas ainda era suas palavras, e essa relação de posse era como uma corrente inquebrável, se existe um modo de fugir da própria essência ele ainda precisava aprende-lo.

No fim ele percebeu que seu silêncio também falava. Não adiantava fugir ele sempre teria as suas palavras.

O medo ainda bem não é tão forte quanto as sensações do amor e a sua força impetuosa, logo ele que havia um tempo tinha decidido não mais amar, estava mais uma vez apaixonado... escrevendo o amor e esperando ser amado.

Ele parou de fugir, bateu a poeira de suas palavras e foi as espalhando por onde passava... todas partes de um tesouro que juntas levariam ao seu bobo coração apaixonado, que ele esperava fosse enfim encontrado.

Joanderson Oliveira