Metamorfose


Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
-Raul Seixas

Ele cresceu, e no seu caminho de crescimento se deparou com rótulos, ele observou calado a cada grupo que a sociedade havia estereotipado! Tinha os altos, os baixos, os magros, os feios, os bonitos, os politicamente corretos, uma infinidade de rótulos, no meio de tantos rótulos ele observou os modelos padrões de ser e estar, de viver em sociedade, do certo e do errado, um rótulo para cada sujeito.

Ele não se encaixava nesses padrões, por mais que tentasse sempre faltava algo aqui, algo ali e durante muito tempo ele passou a podar sua essência, passou a não se deixar ser ou se deixar sentir, ele passou a não se permitir.

Ele queria a "normalidade", ele ainda não sabia que nasceu para ser exceção e não há regra. Ele nasceu singular, e ele foi tão reprimido que aprendeu a não se amar, ele passou a se rejeitar.

Seus amores eram proibidos, suas vontades insanas, nada estava certo, tudo lhe parecia errado, tudo porque ele buscava os rótulos, o padrão, ele não se aceitava, ele buscava aceitação.

Até que um dia seu momento eureka chegou. Uma epifania brotou em seu cérebro, depois de muita reflexão e ele passou a não ver mais sentido em tanta rotulação.

Ele passou então por uma metamorfose, ele olhou para dentro de si, abraçou sua essência, sentiu a sensibilidade do sentir, do compreender, questionar e entender que rótulos não foram feitos para pessoas, não somos produtos fabricados em série, somos sujeitos singulares, cheios de especificidades, não necessitamos de rótulos, necessitamos e devemos ser a pessoa que somos, cada um a seu jeito, a sua maneira. Afinal são as nossas diferenças que nos completam, que nos tornam especiais de uma forma única.

Ele olhou triste para sua essência, machucada e podada pelas tesouras afiadas da sociedade, pelos ensinamentos do certo e do errado, mas no meio dos machucados viu um novo galho a brotar, ele então respirou aliviado, haviam cortado as folhas de sua essência, mas não cortaram a raiz.

A metamorfose, ele compreendeu estava apenas começando.

Ele estava cansado de rótulos, era hora de ser apenas ele mesmo, um humano que sente, ama, chora, sofre e se alegra, um humano que acerta, que erra, que é muito singular e que não vai se enquadrar.

E nesse mundo de iguais ele por fim entendeu que tudo bem ser diferente.

Joanderson Oliveira