Sobre ser adulto


Quando somos crianças, é engraçado (e bonito) como perdoamos com muita facilidade, brigamos com um amigo, com um coleguinha (com alguém) e minutos depois já estamos brincando juntos de novo como se nada tivesse acontecido.

Sinto saudades desse tempo, mas o tempo passa e traz consigo muitas mudanças, nos perdemos e nos encontramos, é sempre assim.

Hoje olho no espelho e claro percebo que não tenho mais essa pureza de ser criança. Tenho magoas que ainda doem, cicatrizes que ainda insistem em sangrar. Queria ter essa facilidade e essa inocência de esquecer, deixar para lá, sorrir para vida e não deixar me machucar por coisas que acontecem ao meu redor. Uma vez assisti um filme, não me lembro qual o título dele, mas um dos personagens da história disse uma frase que eu lembro até hoje, "não podemos controlar como as coisas chegam até nós, mas podemos controlar como reagimos a elas", assim que ouvi a frase tive um momento de epifania e pensei caramba, é isso sabe, tudo (ou quase tudo) depende da proporção, da importância que damos.

Crescer para mim sempre foi um processo doloroso, sempre achei que não seria um bom adulto. Eu não sei ser adulto, nem me vejo como um... não que eu seja um irresponsável, não falo nesse sentido... talvez eu não saiba muito bem como explicar, o que eu sei é que não me vejo como adulto (entende?).

São tantas cobranças, tantas exigências... "Tem que ser assim, ser isso, fazer tal coisa, tem que andar assim, vestir de tal forma", enfim, 'n' coisas que temos que ser, fazer e ter.

E eu olho para tudo isso e a única coisa que quero é apenas ser eu, do meu jeitinho... que pode ser torto, meio louco, às vezes (muito) bobo, mas é meu, sou eu!

Meu Deus, o que é ser adulto afinal?

Eu não sei ser adulto, eu só sei ser eu e acredite isso já dá um trabalho enorme. Vez ou outra me perco, me acho, me encontro e me desencontro.

Talvez um dia eu aprenda a ser adulto... até lá eu já fico feliz em poder ser eu!

Joanderson Oliveira