A carta que nunca mandei, que nunca entreguei!


Era manhã, umas 8h00 e eu tinha acabado de acordar, e como sempre você foi o meu primeiro pensamento. O sentimento era tanto que tudo que eu queria era correr para os teus braços e gritar o quanto te amo!
Mas, eu não podia fazer isso!
Não naquele momento.

Então comecei a escrever uma carta... você pode dizer: "que coisa mais brega, antiga". Mas eu gosto dessas coisas, você sabe!

Bom, comecei a escrever a tal carta. E minha maior dificuldade era colocar no papel todo o sentimento que estava jorrando no meu peito. E para minha surpresa não tinha como... Por mais que eu tentasse as palavras eram poucas e não atingiam a dimensão exata do que eu queria expressar.

Mesmo assim continuei...

Escrevendo e descrevendo o que era possível. Aquilo que as palavras me permitiam. Desejando que quando você lesse a carta, você pudesse sentir tudo aquilo que não foi possível ser escrito.

Depois de quase uma hora, finalmente tinha terminado a carta. Queria logo te entregar e esperar você ler. O meu desejo era que a cada palavra lida você abrisse esse lindo sorriso (que de todos é o meu preferido).

Guardei a carta!

Não podia entrega-la a qualquer momento. Eu precisava sentir que finalmente tinha chegado a hora certa.

Um dia depois nos falamos, era madrugada e você estava com aquela voz de sono incrivelmente linda que eu tanto amo! E ai eu falei que tinha feito algo para você e você me perguntou o que era, eu disse que não ia dizer, que era surpresa. Mas, você sempre consegue tudo o que quer de mim, tudo...

E então eu falei que tinha feito uma carta. Você falou: "HUM!!"

Depois conversamos um pouco mais e você disse que ia dormir, que estava com sono. Desligamos o telefone.

E eu fiquei pensando...

Mas e a CARTA?!

Você meio que não se interessou muito. Mas ai eu pensei, foi o sono, deve ter sido isso, o sono!

Dias depois peguei a carta disposto a entregar para você. E quando finalmente eu te vi, fiquei esperando o tal momento "certo". Fiquei esperando sentir que era o momento de finalmente te entregar a carta.

Mas não senti!

Você não perguntou mais sobre o que eu tinha feito para você, sobre a carta... e eu desisti de entregar. Você pode me dizer que era apenas uma carta... 

Sim, de fato era apenas uma carta, mas acredite, não era uma carta qualquer.

Eu fiz para você!!

Eu usei palavras para tentar descrever tudo aquilo que sinto por você. Mas o fato é que eu não consegui entregar a carta. Achei que não devia, você não mostrou que realmente queria lê-la. Talvez eu devesse ter entregue a carta e observado sua reação ao lê-la. Mais olhei nos seus olhos e vi que não devia. Insinuei, fiz menção dela para você várias vezes, mas você não demonstrava interesse.

Então, rasguei a carta! Joguei fora.

Hoje algum tempo se passou e até hoje você nunca perguntou pela tal carta. O conteúdo dela será sempre um mistério... não poderia reescrevê-la nem mesmo que quisesse.

Naquela carta falei de coisas tão minhas, de sentimentos tão meus, tão reais e tão intensos... Sentimentos esses, que hoje dormem!

Mais confesso que ainda estão aqui...

'Pelo menos por enquanto!

Joanderson Oliveira